Privatizações, já passou da hora faz tempo!!

É assustador perceber que, a despeito de todas as evidências de que o estado brasileiro é perdulário, ineficiente, incompetente, intervencionista e regulador (pra dizer o mínimo), ainda existe gente que imagine que seja possível e aceitável tê-lo atuando em áreas tão diversas quanto o mercado financeiro (bancos, corretoras, cartão de crédito, seguros, previdência privada, capitalização), fabricação de hemoderivados e medicamentos, exploração e refino de petróleo, fabricação de material bélico, usinas nucleares, gestão de portos e aeroportos, chip para monitorar gado, telefonia, geração e transmissão de energia e mais uma infinidade de outras atividades.

Esse mundaréu de coisas em que o estado se enfia desvia o foco do que ele realmente deveria fazer e que são as demandas essenciais da população: educação básica, saúde e segurança.  É por desperdiçar recursos (e não apenas os financeiros) com coisas que a iniciativa privada faz melhor, mais barato e com mais qualidade, que perde-se o foco das atividades que são competências básicas do estado. Neste texto eu não vou nem entrar no mérito da corrupção, um dos principais catalisadores para que tenhamos hoje a calamidade em que os serviços públicos se apresentam. 

Como já disse Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos durante quase toda a década de 1980: “O estado não é a solução dos nossos problemas. O estado é o problema”. É muito romântico acreditar que o estado proverá todas as demandas das pessoas, como uma babá onipresente. O Estado não tem agilidade e nem competência para responder às demandas da sociedade. Quem de fato resolve o problema das pessoas (físicas e jurídicas) é a iniciativa privada. É na iniciativa privada que estão aqueles indivíduos que, estimulados pela observação da realidade, se dispõem a investir tempo, trabalho e dinheiro para oferecer um produto ou serviço que resolva um problema ou atenda uma necessidade.

Um bom exemplo é a área da saúde: segundo pesquisa do Ibope em parceria com o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) ter um plano de saúde é a terceira conquista mais desejada pelos brasileiros, depois da casa própria e de uma educação de qualidade. O estudo concluiu que 74% dos entrevistados que não têm um plano de saúde gostariam de possuir o benefício. A principal justificativa para o desejo de contar com o plano, apontada por 84% dos entrevistados que não o possuem, é a garantia do atendimento, a rapidez para o agendamento de consultas e realização de exames e a qualidade, tanto dos médicos quanto dos hospitais conveniados. No total, 95% dos brasileiros (beneficiários e não beneficiários de um plano de saúde) consideram a posse de plano de saúde “essencial”. Por que isso acontece? Simplesmente porque o Estado é incapaz de resolver os anseios de saúde da população, coisa que a iniciativa privada faz bem melhor: a saúde pública é precária e ninguém quer depender do SUS, apesar de muita gente ainda se iludir com a sua suposta qualidade e eficiência.

Tirar o estado de atividades em que ele é absolutamente desnecessário, vai permitir que exista mais recursos para que ele atue naquilo que é indispensável.  Além da questão da falta de foco da administração estatal, as privatizações atacam um outro mal: o descaso com a coisa pública. Uma empresa pública, contrariando o senso comum de que seria de todos, na realidade não é de ninguém. E não há negócio sem dono que prospere. Por mais que exista uma meia dúzia de indivíduos comprometidos, estes acabam sendo triturados pela imensa máquina destruidora de produtividade, eficiência e economicidade. A ineficiência de uma empresa pública se reflete nos seus resultados. Poucas são aquelas que podem se gabar de apresentar resultados positivos que, aliás, seriam muito maiores com um gestor privado. Mesmos as que são lucrativas nunca terão a garantia de que darão lucro sempre. E quando vierem a dar prejuízo todos nós, pagadores de impostos, teremos que entrar no rateio da conta, querendo ou não. É o dinheiro para cobrir o prejuízo de uma estatal deficitária que deixa de ser utilizado para uma melhor oferta de saúde, educação básica e segurança.

Eu tive a oportunidade de estar numa empresa pública quando ela foi privatizada, o Banco de Pernambuco – BANDEPE, no final dos anos 1990. Às vésperas da privatização o banco era apenas o caixa do governo do estado, órgãos da administração indireta, autarquias e prefeituras: arrecadava impostos e taxas e pagava salários e aposentadorias. O BANDEPE escapou por pouco de ser federalizado ou simplesmente liquidado. A privatização foi um processo longo, burocrático e que, obviamente, não aconteceu sem traumas. Áreas foram extintas, pessoas foram demitidas (tendo sido oferecido um interessante Plano de Demissão Voluntária – PDV anteriormente). Batido o martelo, o choque de gestão é imediato. Foi absolutamente gratificante ver o impacto que a privatização teve sobre a qualidade dos produtos, serviços e no atendimento aos clientes. Em menos de 2 anos, todas as agências foram reformadas, sistemas e infraestrutura de informática foram atualizados, novos funcionários foram contratados no mercado, benefícios revisados e incrementados, gestão de desempenho, remuneração variável e bonificação implantados. Um fato expressivo foi o ganho motivacional nas pessoas: pela primeira vez era possível vislumbrar a chance de ser reconhecido e promovido de forma imparcial e objetiva, sem a necessidade de ter conhecimento ou influência política. Para aqueles que mesmo no mundo público tinham a atitude da iniciativa privada, a privatização foi uma dádiva. Já quem não se adaptou à nova realidade foi expurgado.

A privatização das empresas públicas é uma medida urgente e não temos mais tempo a perder. Essa discussão não cabe mais no Brasil de 2021. Os recursos dos nossos impostos não podem continuar a ser desperdiçados em empresas ineficientes e deficitárias, mal geridas por gente incompetente e descompromissada, sendo ambiente fértil para a corrupção, tema de um próximo texto.

Miguel Gustavo Freitas

Miguel Gustavo Freitas

Administrador, consultor em gestão de pessoas, psicólogo em desenvolvimento, liberal com traços libertários.

One thought on “Privatizações, já passou da hora faz tempo!!

  • 10 de abril de 2021 em 21:44
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    Parabéns, Miguel! Excelente texto!

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