Deus em pessoa…

Eu estava ouvindo um canal conservador americano, há poucos dias, onde contaram uma historieta sobre como pessoas entram em um modo mental complicado em meio aos problemas, e ficam esperando ajuda especial e Divina, de forma mística, como sendo a única aceitável – pois pediram com fé e, por isso, esse é o único modo de enxergarem uma possível solução.

Era algo mais ou menos assim: Uma pessoa estava num barco, numa tempestade, e naufragou. Esse sobrevivente não entendia como estava em meio àquela tragédia, e em meio ao desespero fez suas preces de forma contundente e pediu a Deus que o salvasse. Com o passar do tempo, a coisa ia de mau a pior, e já estava um tanto caótica, quando, de repente, um pequeno barco passou por perto e tentou resgatá-lo. Mas ele, com receio que poderia ter algo mais claro mostrando que aquilo era de Deus, recusou o apoio.

Permaneceu como estava, e preferiu ficar lá boiando. Mais tempo se passou, e com a angústia aumentando, ele ouve um helicóptero se aproximando e, pelo jeito das manobras, estava tentando resgatá-lo. Só que ele, hesitante, não creu que seria a forma de sair dali, sem saber se a resposta era realmente de Deus, e recusou a ajuda. Bem, para o azar dele a coisa não melhorou e ele acabou perdendo sua vida depois de ficar muito tempo perdido e “sem socorro”.

Aí, virada a página da vida, o homem chega na presença de Deus, e em estando lá, não hesitou em se mostrar muito chateado e perguntar a Deus por que ele não fora lá salvá-lo. Então Deus com toda sua naturalidade respondeu prontamente: quem você acha que mandou o barco e depois um helicóptero? Ao ouvir isso, o cidadão se tocou da situação que ele mesmo criou e confessou em alto e bom tom: “eu queria ter sido salvo por Deus em pessoa”.

Essa história me fez pensar muito no que está se passando no Brasil – e em boa parte do mundo – durante esse período de pandemia, com um péssimo ambiente em diversas áreas do país.

O Brasil está, novamente, vendo um político que chegou ao poder usando de demagogia para agradar pessoas, sem ter qualquer intenção de ajudá-las de fato, espalhando narrativas, falas mentirosas, desastradas e populismo da pior espécie. E essa coisa contou (e conta ainda) com grupos espalhando desinformação das mais variadas espécies. Umas promovendo esse político que não tem entregue resultados, vendendo falsas esperanças através de histórias típicas das que se contavam para manipular nações que foram tomadas por ditaduras. E temos pessoas defendendo até atos claros de aproximação com corruptos poderosos, instalados no sistema e que ainda têm seus tentáculos no estamento burocrático.

Ora, a coisa toda está cada vez mais caótica, cheia de problemas graves em todos os níveis, agravados pela pandemia – que está sendo enfrentada ignorando todas as melhores práticas adotadas por outras nações, sem empenho dos que estão nas lideranças – pois isso exige espírito público e categorias de pensamento que o atual governo nunca mostrou ter interesse de absorver ou aprender.

Isso é muito trágico!

Mas meu ponto ao trazer isso tudo até aqui é dizer que por mais claros que sejam os sinais que o pais está largado numa “tempestade”, ao sabor do vento, sem suporte e liderança, sem a menor luz no fim do túnel, muitos brasileiros, “naufragados”, acham que tudo está errado fora do governo e não nele. Querem continuar acreditando cegamente no modo completamente equivocado que o governo atua “achando que são respostas que não vem de Deus”. Essa convicção não servirá de nada para que as coisas sejam resolvidas, de acordo com as expectativas, como repostas de “preces contundentes” e que terão retorno garantido.

Precisamos, então, de uma atitude diferente de cada um de nós, para sair dessa, encontrando um “barco de salvação”. E isso começará, essencialmente, se pararmos de nos iludir com políticos, mesmo sendo ele o funcionário público que está no posto mais alto do funcionalismo – bem ao estilo que fanáticos fazem com Jair Bolsonaro – como se eles pudessem ser um Deus em pessoa. Temos que ir pelo caminho de nos empenharmos como pessoas, unidos, por mais liberdade, para mudarmos o país, para que ele possa alçar voos mais altos, para que ele seja muito mais do que já foi no passado, nos dando orgulho de sermos brasileiros.

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