Sobre Vacinas e Cloroquina

Em tempos da CPI da Covid, o brasileiro está mais confuso e perdido do que nunca. Já se vão 4 semanas de oitivas e depoimentos, e a confusão só faz aumentar. Afinal, cloroquina funciona como “tratamento precoce”? E as vacinas, protegem? Foi bom ter investido dinheiro federal na compra da CoronaVac? Ou foi dinheiro “posto fora” numa vacina de baixa eficácia que produz uma “falsa sensação de segurança”?

Certamente você já deve ter ouvido alguns destes questionamentos. Pois saiba que esta é a “nova narrativa bolsonarista”. E não caia neste “conto do vigário”. O governo federal está tentando criar um factoide novo: tentou liberar o uso da cloroquina & afins, porém, foi impedido por “forças políticas”. Também estaria à espera de uma vacina “eficaz”, mas, devido à pressa política do governador de São Paulo, João Dória, foi pressionado e “obrigado” a comprar a CoronaVac, vacina com menor eficiência. Ou seja, o “grande estrategista”, Jair Messias Bolsonaro, como sempre, pensa no “bem” de seu povo, mas é impedido de ajudá-lo por “forças ocultas e escusas”. A narrativa de sempre, para variar.

Mas, para quem acompanhou a CPI da Covid de perto, a história verdadeira ficou bem clara, e é outra. Em seu depoimento em 13/05/21, o ex-presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo disse, claramente, que o governo federal ignorou nada menos que cinco ofertas de vacinas, isso ainda em 2020. Cabe lembrar que o imunizante da Pfizer é considerado um dos mais eficazes do mundo. Mas nosso governo fez pouco caso da empresa e ignorou as ofertas. O acordo comercial ocorreu, finalmente, mas em 19/03/21, com meses de atraso, a pandemia ceifando vidas como nunca e a vacinação andando a passos de tartaruga.

No dia 25/05/21, Mayra Pinheiro, Secretária do Ministério da Saúde e conhecida pela infeliz alcunha de “Capitã Cloroquina” defendeu o uso desta medicação, sem eficácia comprovada contra a Covid19, e admitiu que a pasta “orientou” médicos a adotarem o chamado “tratamento precoce”. Mayra, porém, não apresentou, em sua defesa, argumentação sólida ou embasamento científico suficiente para justificar as ações do ministério.

Mais estarrecedor foi o depoimento de Dimas Covas, Diretor do Instituto Butantan, que acusou o executivo federal de ter ignorado a oferta de compra de 60 milhões de doses da CoronaVac, que poderiam ter sido entregues até dezembro de 2020 e fariam o Brasil ser o primeiro país no mundo a iniciar a imunização contra a Covid19.

No momento, temos apenas 10% da população brasileira imunizada. 80% dos imunizados utilizaram a CoronaVac. É certo que ela não é a melhor vacina do mundo. Mas é eficaz. E antes a CoronaVac que vacina nenhuma. Com toda a certeza, milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se a vacinação, fosse com qual vacina fosse, tivesse começado ainda em 2020, e feita de forma rápida, como sabemos que o Brasil é capaz.

E não. O governo federal não agiu como estrategista. Agiu com a costumeira e conhecida incompetência, falta de empatia e estupidez.

Ana Paula Pinho

Mestre e Doutora em Neurociências.

One thought on “Sobre Vacinas e Cloroquina

  • 29 de maio de 2021 em 23:22
    Permalink

    É bem isso, governo incompetente,genocida

    Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *