O que fala ou quem fala?

Um dos grandes assuntos políticos desta última semana foi o fato de que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, assumiu sua homossexualidade em entrevista ao jornalista Pedro Bial. 
Leite é o primeiro governante de grande porte do Executivo brasileiro a falar abertamente sobre sua sexualidade, o que causou certa “comoção” na imprensa nacional. 
Obviamente que um indivíduo assumir-se gay não deveria causar espanto  algum numa sociedade madura, mas como ainda estamos longe dessa realidade, houve uma série de debates e matérias para tratar do assunto e discutir suas consequências políticas para o futuro, ainda mais por tratar-se de um político que abertamente já se colocou como postulante ao cargo de Presidente da República na eleição do ano que vem.
Qualquer pessoa respeitosa e com bom senso não enxerga o homossexualismo como algo problemático, principalmente nós, liberais, que sempre defendemos as liberdades individuais com afinco. 
Curiosamente, o homossexualismo parece ser um problema para aqueles que mais costumam bater no peito intitulando-se defensores das chamadas “minorias” (a propósito, creio que já passou da hora de pararmos de utilizar esse termo) e que tentam vender a imagem de serem pessoas que  cultivam o amor sobre o ódio. 
 Figuras conhecidas por sua grande ignorância política, mas que possuem milhões de seguidores, tais como Jean Wyllys, Felipe Neto e outras tantas, foram às suas redes sociais criticar pesadamente o ato do governador gaúcho, acusando-o de várias coisas. Leite foi chamado de aproveitador, mentiroso, cúmplice do Bolsonarismo, etc. Essas mesmas figuras já atacaram várias outras pessoas das chamadas “minorias” apenas por suas posições políticas. Lembram-se do vereador Fernando Holiday sendo chamado de “capitão do mato”?
Em comum entre todos esses acusadores há o fato de serem ligados à esquerda política. A mesma esquerda que apoia cegamente uma figura como Lula, conhecido por ter emitido, em várias ocasiões, comentários homofóbicos e preconceituosos. A mesma esquerda que aplaude ditadores, vivos ou mortos, que dizimaram homossexuais por fuzilamento ou jogando essas pessoas do alto de prédios. 
Ou seja, você só é respeitado se pensa como eles, se segue cegamente o que falam. Claramente, não importa o que é falado, mas por quem é falado.
Essa hipocrisia – presente não apenas nesse tipo de comentário, mas também na perseguição que essas mesmas figuras fazem a cada dia mais a quem não votou no seu candidato em 2018 (um verdadeiro garoto de recados de um corrupto condenado), além de patética, está visivelmente cansando o brasileiro que se encontra ligado ao centro político e distante dos fanatismos tão presentes hoje em dia. 
Lembram do que ocorreu no último Big Brother com os chamados “lacradores”? Então, aquilo é um exemplo. Ah, eu não assisto o programa, deixando claro, ok?!  Tudo isso foi aqui citado para demonstrar como o nível do debate político nacional é baixíssimo, e isso não é culpa apenas dos fanáticos bolsonaristas. 
A eleição de Bolsonaro só aconteceu porque a paciência do povo acabou e nos recusamos a votar numa marionete de presidiário, que apenas dois anos antes tinha sido chutado vergonhosamente da cadeira de prefeito da maior cidade da América do Sul. 
É surreal e totalmente complexo de entender qual a motivação da esquerda política nacional em insistir nos mesmos comportamentos que são refutados a cada dia mais pela maioria dos brasileiros. São sempre os mesmos nomes, os mesmos projetos e as mesmas promessas, sempre em torno do ex-presidente presidiário.
Esse mundo habitado pela esquerda no Brasil ainda não percebeu, e talvez só perceba quando sua figura maior não estiver mais por aqui, que seria muito mais vantajoso não apenas para si mesmos, mas também para a política nacional, se apresentassem nomes adaptados ao cenário político atual não apenas do Brasil, mas do mundo.
A esquerda precisa se apresentar com nomes como Tábata Amaral, Eduardo Jorge, Fernando Gabeira, Flávio Dino, entre outros. Enquanto o que for oferecido ao público se resumir a mesma figura que há quase 50 anos inferniza a vida do brasileiro, o “outro lado” do fanatismo oferecerá sempre uma desgraça do mesmo tamanho, se não for pior. No meio de tudo isso fica o brasileiro, que no final das contas é sempre quem quebra a cara. 
Urge criarmos finalmente uma via que não tenha nada a ver com esses dois lados perversos, enterrando no mundo político nacional esse festival de figuras que há décadas nos prejudica. Chega de hipocrisia, falta de respeito, mentiras e promessas absurdas!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *