Diz-me com quem andas

Há duas semanas tivemos protestos em Cuba pedindo mais liberdade e o fim da ditadura implantada pelos Castro há mais de 60 anos. A esquerda retrógrada brasileira logo saiu em defesa do regime ditatorial e, como sempre, Lula veio à frente. Isso só corrobora o que muita gente já sabe: Luís Inácio Lula da Silva não é um democrata. Luís Inácio Lula da Silva não tem nenhuma admiração pela liberdade de imprensa, de expressão, de manifestação. Luís Inácio Lula da Silva não deseja que as pessoas tenham opção de viver livre das amarras e do peso do estado. A maior prova destas afirmações são as relações internacionais que ele fomentou nos seus anos de governo, entre 2003 e 2010.

Nunca na história deste país um presidente brasileiro esteve tão próximo de líderes que representavam tão intensamente a escória da humanidade. Nunca na história deste país a agenda de relações exteriores do Brasil foi tão direcionada para estreitar laços com regimes totalitários e antidemocráticos.

Durante o governo Lula, a representação diplomática brasileira no Conselho de Direitos Humanos da ONU, outrora conhecida por sua postura altiva e íntegra, não perdeu nenhuma oportunidade de fazer vista grossa ou mesmo se contrapor a moções críticas a violações ocorridas em país amplamente conhecidos por serem ditaduras como Coréia do Norte, Sri Lanka e Sudão.

Durante os seus oito anos de governo, Lula recebeu em Brasília mais de uma dezena de ditadores e várias destas visitas foram retribuídas em viagens oficiais, com recepções e eventos nababescos. E quem foram estes simpáticos amigos para quem abriu as portas do Palácio do Planalto?

Chamado por Lula de “amigo e irmão”, Muammar Kadafi, tirano que deteve o poder na Líbia de 1969 a 2011 esteve com Lula ainda no seu primeiro ano de governo, em dezembro/2003 e posteriormente em 2006 e 2009. A ficha corrida de Kadafi é tão relevante que ele acabou por ser retratado como uma das estrelas da série documentário da Netflix “Como se Tornar um Tirano”, recentemente lançada. O quinto episódio é todo sobre os métodos de Kadafi, que como primeiras medidas de governo suspendeu o direito de reunião e a liberdade de expressão.

Conhecido por afirmar que o Holocausto nunca existiu e declarar que desejava que Israel fosse varrido do mapa, Mahmoud Ahmadinejad, presidente da teocracia islâmica iraniana de 2005 a 2013, foi chamado por Lula de “companheiro” em sua visita ao Brasil em setembro/2009, visita esta retribuída em maio/2010. O Irã é um dos 22 países do mundo a aplicar a pena de morte, inclusive para relações homossexuais, adultério, apostasia, bruxaria e heresia. Chibatadas e apedrejamento são punições previstas na legislação iraniana, fortemente influenciada pela sharia, a lei islâmica derivada do Alcorão.

Em junho/2010, Lula homenageou o ditador e criminoso de guerra Bashar Al-Assad com o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, mesmo depois de haver comprovação por organismos internacionais de que o tirano, que governa a Síria desde de meados do ano 2000, atacou vilas usando armas químicas que dizimaram centenas de crianças, mulheres e idosos. Em guerra civil desde 2011, o país já contabiliza mais de 150 mil mortos, sem qualquer evidência de Assad vá ser apeado do poder.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU acusava o governo do ditador do Uzbequistão Islam Karinov, no poder desde março/1990, de praticar tortura, aceitar o trabalho infantil e perseguir jornalistas e muçulmanos. Com uma nova Constituição, as regras eleitorais do país só permitiam uma reeleição. O que fez Karinov pra se perpetuar no poder? Arrumou uma brecha jurídica, forjando a desculpa de que o primeiro mandato foi ainda com a Constituição anterior, dos tempos da Guerra Fria, e por isso não contava. Só deixou o cargo ao morrer, em setembro/2016. Esteve com Lula em maio/2009.

Teodore Obiang ofereceu uma recepção para Lula em julho/2010 em Malabo, capital da Guiné Equatorial. No poder desde 1979, é ainda hoje um dos líderes mais violentos e corruptos do mundo. A Guiné Equatorial é o terceiro maior produtor de petróleo da África. Como resultado de um governo cleptocrata, Obiang chegou a ser apontado pela revista Forbes com um dos 10 homens mais ricos do mundo, enquanto mais de 70% da população do país vive abaixo da linha pobreza. Em 2016 foi “eleito” para um novo mandato até 2023… Em viagens após o fim dos seus mandatos, Lula visitou Obiang para fazer lobby para empreiteiras brasileiras, como Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez. Teodorin, filho do ditador, esteve envolvido no episódio das malas apreendidas com dinheiro e jóias pela Polícia Federal no Aeroporto de Viracopos em 2018. Foram cerca de US$ 16 milhões (R$ 72 milhões), dinheiro que acreditava-se seria usado nas campanhas eleitorais do PT daquele ano.

Lula esteve com Nursultan Nazarbayev, ditador do Cazaquistão em setembro/2007 em Brasília e junho/2009 em Astana, capital cazaque. Nazarbayev subiu ao poder em 1984, inicialmente como primeiro ministro, e permaneceu como presidente, a partir de 1991, após a queda da cortina de ferro. Reeleito várias vezes, chegou a ter 98% dos votos em 2015. (Os resultados das eleições de seu país parecem muito com os de uma certa ilha do Caribe.) Perseguiu opositores e dissidentes e teve um governo recheado de casos de corrupção. Renunciou em 2019 devido a fortes protestos por todo o país.

Alexander Lukashenko é presidente da Bielorússia desde 1994. Esteve com Lula em março/2010. É famoso por declarações antissemitas e por fraudar eleições na cara dura. O nível de canalhice do sujeito é tão grande que chegou a banir a própria esposa para um vilarejo no interior do país para se casar com uma ex-miss. Negacionista da pandemia de COVID-19, deu um discurso no qual disse que a doença não era nada grave e que poderia ser curada com “vodka, sauna e trabalho no campo.”

Paul Biya governa Camarões com mão de ferro desde novembro de 1982. Encontrou-se com Lula em abril/2005. A pátria dos Leões Africanos, a seleção de futebol que encantou o mundo na copa de 1990 com o craque Roger Milla e o goleiro N’kono, sofre com eleições fraudulentas, corrupção endêmica e inflação descontrolada, resultando em 48% da população vivendo abaixo da linha da pobreza. O parça de Lula costuma ser reeleito com mais de 70% dos votos. A exemplo do que ocorre em outras ditaduras como a da Coréia do Norte, há um forte culto à personalidade, existindo uma imagem do presidente praticamente em cada esquina.

O Gabão é mais um país africano rico em petróleo. Omar Bongo Ondimba, que governou o país por 42 anos até sua morte em 2015, encontrou-se com Lula em 2004 em Brasília. Com o dinheiro do ouro negro, ele financiava políticos e mandava matar opositores. Gente da melhor espécie, SQN!

Em agosto de 2004 o Brasil perdoou uma dívida de US$ 315 milhões de Moçambique com o Brasil. O livro “Moçambique, o Brasil é aqui – uma investigação sobre os negócios brasileiros na África”, da jornalista Amanda Rossi conta detalhes do relacionamento de Lula com o presidente Armando Guebuza, que foi reeleito em 2009 com 75% dos votos. Obras do Aeroporto de Nacala (Odebrecht), do BRT da capital Maputo (Odebrecht) e da barragem de Moamba Major (Andrade Gutierrez) receberam mais de US$ 750 milhões do BNDES. Boa parte das parcelas do financiamento estão em atraso desde 2016.

Daniel Ortega encontrou-se com Lula em 2010. À frente do executivo da Nicarágua desde 2006, foi “reeleito” em 2011 e 2016. O democrata Ortega costuma prender opositores políticos, inclusive candidatos à presidência, controla a Suprema Corte, a Assembleia Nacional e o Conselho Eleitoral. Não à toa, teve 70% dos votos na última eleição. Em 2018, protestos contra o seu governo tirânico resultaram em mais de 360 mortos por forças policiais e paramilitares apoiadoras de Ortega. Adivinha qual foi o partido brasileiro que defendeu Ortega e disse que os protestos faziam parte da uma “contraofensiva neoliberal, imperialista, multifacetada, com guerra econômica, mediática, golpes judiciais e parlamentares”? Para surpresa de ninguém, o PT.

Fidel Castro e Hugo Chavez, que hoje ardem nas caldeiras do inferno ao lado de Che Guevara, Mao Tse-Tung, Stálin, Mussolini, Saddam Hussein, Idi Amin Dada, Kim Jong-Il, Kim Il-Sung e Hitler, pela sua relevância nas relações exteriores do Brasil entre 2003 e 2010, ficam para outra oportunidade.

Miguel Gustavo Freitas

Miguel Gustavo Freitas

Administrador, consultor em gestão de pessoas, psicólogo em desenvolvimento, liberal com traços libertários.

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