Eu fico com a pureza das respostas das crianças

Ontem a noite quando levei meu filho caçula, de seis anos, para a cama, e ele me pediu para contar uma historinha para ele dormir. Pedi para ele escolher um livro do folclore brasileiro, mas ele respondeu que queria que fosse da minha cabeça. Eu, meio cansado, comecei.
Era uma vez… num país bem distante existia um homem muito malvado, mas muito malvado mesmo e que tinha um super poder: o poder da mentira, o poder de enganar as pessoas e fazer as pessoas pensarem que ele era amigo de todos. Ele fazia tudo errado, não trabalhava, não estudava e ainda bebia mas, com seu super poder, mentia e enganava as pessoas. Ele fazia pensarem que ele era muito, mas muito bom e inteligente.


E esse homem, com alguns amigos igualmente maus, bolaram um grande plano de roubar todo o dinheiro do país em que viviam e deixar as pessoas pobres, precisando dele. E assim, eles foram colocando o plano em prática. A cada assalto/ roubo ao país, ele e os amigos maus ficavam mais ricos, mas tão rico que ele virou REI do país, mas o povo do país ficava cada vez mais pobre.


Eles roubaram tanto, mas tanto, que as crianças não tinham escola, as estradas eram horríveis, os hospitais eram velhos e muitas famílias não tinham nem comida e tinham que pedir favor para o rei, que os ajudavam com migalhas e, assim, se passava por bonzinho e amigos de todos.
Quando pareceria que nada mais podia mudar essa situação, apareceu um grupo de pessoas do bem dispostas a enfrentar esses homens maus e poderosos (policiais, juízes e promotores). Eles trabalharam muito e descobriram todas as mentiras do rei, descobriram onde era os esconderijos do rei, conseguiram até recuperar uma parte do dinheiro roubado e prenderam o rei.


Nessa hora, meu filho bocejou e disse: “um viva o juiz, né pai, e aí todos viveram felizes para sempre?” Eu dei uma risada e disse que sim!
Ele dormiu e eu fiquei pensando se entenderia que um grupo de outros juízes, ainda mais poderosos, decidiu por soltar o bandido, é que apareceu outro homem, também mau, e virou rei desse país … Enfim, tenho causos para fazer meu filho dormir por muito e muito tempo, mas fico na esperança de um dia realmente poder dizer, quem sabe aos meus netos, que todos ficaram realmente felizes para sempre.

Texto Dr André Leite, médico anestesiologista

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