O poder do exemplo

   Lembro, ainda muito criança, de acordar de madrugada ouvindo o som do carro sendo ligado na garagem. “Lá vai ele”, pensava eu. E estava certa. Sendo médico obstetra em uma pequena cidade do interior de Santa Catarina,  meu pai passava poucas noites completas em casa, sendo chamado para partos no hospital em quase todas as noites.

   Durante o dia, as coisas não eram mais fáceis. Mesmo tendo dormido pouco ou nada, meu pai saía cedinho, para ver os pacientes internados no hospital, atender aqueles que o esperavam no posto de saúde, e consultório. Muitas vezes ele não almoçava ou jantava em casa. E os finais de semana não eram diferentes.

   Frequentemente eu sentia muito orgulho de meu pai. Da vida dedicada ao serviço do outro. Pode parecer clichê ou piegas, pois é verdade que os médicos no Brasil recebem honorários acima da média da população brasileira. Porém, sua qualidade de vida é muito ruim. O que realmente é compensador, que faz valer a pena, é ver o paciente bem novamente, sem dor, saudável. Ou mesmo ser o colo e o ombro amigo, quando a natureza é mais forte que nossos esforços.

   Mas nem sempre eu gostava de ter um médico como pai. Na verdade, frequentemente me ressentia das ausências prolongadas, da falta de tempo para a família. De nunca vê-lo contando uma história antes de eu dormir, de nunca contar com ele para festas e eventos escolares, dos cansaços… “Será que ele prefere os estranhos a nós?” Eu pensava.

   E, para além de todo o empenho na medicina, meu pai também era um apaixonado por política. Sempre envolvido em alguma campanha, preocupado com os rumos da cidade, do estado, do país.

   Apesar do grande envolvimento em política, jamais o vi levar algum tipo de vantagem pessoal dela. Pelo contrário: querendo construir um lugar melhor para vivermos, acabava gastando tempo, dinheiro, paz de espírito e não raro brigava por alguma causa que estava defendendo.E, para piorar, as pessoas nas quais ele acreditava venciam eleições com a chancela dele, e acabavam decepcionando profundamente. Mas meu pai nunca desistiu ou desanimou.

   Adulta, compreendi o motivo das ausências que me magoavam na infância. E, movida pelo exemplo, também me tornei médica e ativista política, como o pai do qual tanto me orgulho.

   Por isso, hoje, apesar de, e até pela idade e por tudo que meu pai já viu e viveu, fico emocionada de vê-lo envolvido e engajado na campanha para fazer de Sergio Moro presidente. Por acreditar e saber da importância de termos no cargo máximo do executivo nacional, alguém com moral, dignidade e senso de justiça inquestionáveis.

   Obrigada, pai, por ter sido um farol que serviu de exemplo e inspiração para eu ser a pessoa que sou hoje. E por me ensinar que vale a pena lutar e acreditar no sonho de que podemos (agora juntos!), construir um futuro melhor para o Brasil.

Depoimento do Dr Oscar Pinho, pai da nossa colaboradora, Ana Paula Pinho

Ana Paula Pinho

Mestre e Doutora em Neurociências.

One thought on “O poder do exemplo

  • 1 de maio de 2022 em 11:34
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    Emocionante.
    Como dizem: “Palavras comovem, mas o exemplo arrasta”

    E precisamos de mais pessoas como ele, para visar pelo bem estar da população.

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