Política, Religião e Futebol no mesmo balaio?

por Airton Dias

Todos nós em algum momento da vida já ouvimos a famigerada frase. “Política, Religião e Futebol não se discute”. É um conceito muito usado para definir as fronteiras “respeitosas” das opiniões sobre política, quando não há consenso ou entendimento sobre um determinado fato. Incrível observar como uma discussão que deveria ser racional acaba sendo escanteada e segue não no campo da convencimento e do debate de ideias, mas sim para os meandros da paixão ao comparar a política com religião ou futebol.

Ditado este que reflete muito sobre nós, povo brasileiro e suas expectativas que são elevadas ao posto de indiscutíveis e incontestáveis, selando assim a possibilidade de qualquer diálogo. Ao colocar a política nesse bolo, muitos assumem seu lado na torcida ou na seita. Revelam que estão dispostos a tolerar as inconsistências no discurso de seus políticos por delegarem com o voto um apoio incondicional, uma fidelidade submissa à qualquer novo entendimento que tenha como origem a pessoa reverenciada.

Para esses indivíduos, nada poderia ser pior do que trair o líder, independente da mudança de convicções por parte dele, pois a adoração ao líder independe da mudança, seja ela qual for. Algo muito bem articulado em grupos de whatsapp por aí e exatamente nesses termos.

Consciências acabam sendo moldadas por esse ditado já inculcado na cultura brasileira. As pessoas tem a segurança de que podem acreditar cegamente no seu líder e compará-lo a Deus e a Pelé. Esse é o ônus do livre arbítrio; a opinião dos tolos. E qualquer um que vier falando jocosamente sobre Maradona ou Jeová que se cuide. Melhor não discutir ne? Pra que falar de Lula, Bolsonaro ou Terceira Via? Esquerda e Direita. Cada um já escolheu seu lado e a chance de mudar de ideia é praticamente nula para aqueles que estão presos em suas bolhas.

Pra não rolar um quebra-pau é melhor não arriscar e já mandar logo o ditado preferido da nação brasileira, aquele que serve justamente pra apaziguar conflitos. O fatídico “Política, Religião e Futebol não se discute”, afinal de contas, esse ditado é a base da nossa cultura.

Airton Dias

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